“Em que tempo vivemos? Em que tempo as crianças vivem? Atualmente, sabemos que há crianças que vivem com agendas lotadas, tempo contado pra fazer tudo que é ‘preciso’. Em muitas escolas, o tempo é marcado com rigidez, a cada 30 minutos troca-se de atividade. Entre tantos tempos marcados, dirigidos, em que tempos estamos?
As crianças começam uma atividade já sabendo que, logo mais, serão interrompidas pra fazer outra coisa, muitas vezes desconexa da atividade anterior. Estamos no
agora pensando no daqui a pouco, sempre no
futuro, nunca inteiros no presente.
A vida com a natureza nos convida para
estar no presente, a cada instante, sentindo, percebendo o que está acontecendo nos planos mais delicados e sutis. É algo que a
natureza nos ensina: aprimorar nossa sensibilidade até entrarmos no tempo em que a vida funciona, um tempo lento para nossa vida apressada, mas um tempo que também está agindo sobre nós.
Quer ver um exemplo? Sabemos que estamos nos modificando o tempo todo: se for um adulto, está envelhecendo, se for uma criança, está se desenvolvendo, crescendo. Podemos fazer inúmeras escolhas de modo a direcionar as transformações que o nosso corpo faz, mas não temos como saber, com certeza, como ficaremos, como seremos amanhã, daqui a um ano, daqui a dez anos.
Não há planejamento que funcione no
fluxo da natureza. Para uma vida em acordo com a natureza é preciso aprimorar o olhar para sentir, perceber a direção que o fluxo da vida está tomando, e navegar com ele, permitir que ele alcance sua melhor expressão, em vez de querer forçar para que as coisas funcionem assim ou assado.
Claro que existem situações inaceitáveis e desejamos transformá-las. Mas, mesmo com estas, se não prestarmos atenção ao fluxo que fez com que elas se expressassem dessa forma, provocaremos uma situação e, até mesmo, repetiremos o problema que queremos resolver.
Viver de acordo com as leis da natureza requer humildade, capacidade de atenção, confiança e liberdade.”
Ana Carolina Thomé e Rita Mendonça
Fonte:
http://conexaoplaneta.com.br/blog/no-fluxo-da-natureza/