Galhos, folhas, conchas, pedras, sementes, vagens… O que pode ser encontrado no chão de um parque, de uma praça ou, até mesmo, na rua ao longo de uma caminhada, também tem grande potencial nas mãos de uma
criança.
É assim que esses simples materiais podem se transformar em qualquer outra coisa.
Galhos podem ser bebês, espadas podem se transformar em varinhas mágicas. Conchas podem ser telefones, dinheiro, panelas. Mas não só isso!
Materiais naturais como esses – que têm alto
poder de transformação pela
imaginação numa
brincadeira -, são chamados pelos educadores de
materiais não-estruturados.
Diferentes de um brinquedo industrializado que te diz o que fazer, que é estruturado, este tipo de material permite ser o que a criança quiser que ele seja. Brincar com esses materiais abre espaço para que a criança seja
mais criativa, desenvolva sua imaginação, faça comparações, represente a vida como ela é, crie metáforas e poesias.
Partimos então para uma reflexão: o que é preciso para que a brincadeira aconteça?
Nos dias atuais, com a grande influência do
consumismo, fica como que um acordo tácito de que a criança precisa de brinquedo. Será que para que ela “faça comida”, por exemplo, é necessário ter uma série de apetrechos como panelas certas para cada comida, fogão, colheres? Será que para que ela construa uma fazenda são necessárias miniaturas de animais de todos os tipos?
Basta olhar para as crianças brincando na natureza e perceber o que é essencial numa brincadeira. E é isto que permite que a criança desenvolva sua capacidade imaginativa e criativa, transforme o mundo à sua volta e crie novos mundos.
Observar a brincadeira acontecer é a melhor forma do adulto entender e repensar os materiais que pode oferecer às crianças.
Materiais simples e que fazem parte da nossa rotina permitem que a criança atribua-lhes novas funções e significados, e desenvolva sua criatividade com a espontaneidade e a potência dos seres não humanos, de cuja família nunca deixaremos de fazer parte.
No curta-metragem
Boi de Pedra, do programa
Território do Brincar, Renata Meirelles e David Reeks – que contaram com a parceria de pesquisa de Gandhy Piorsky e a produção de Gabriela Romeu – revelam isso. Simplicidade, imaginação, criatividade e retratos da vida dos meninos enquanto brincam, enquanto vivem.
Vamos olhar ao redor, em volta de nossas crianças e perceber que materiais podem ocupar espaço em suas brincadeiras e trazer novas possibilidades de criação e invenção?
“Boi de Pedra”
Fonte:
http://conexaoplaneta.com.br