No mês de agosto, recebemos uma convidada muito especial, a coordenadora do programa Criança e Natureza. Lais Fleury deu uma palestra para os professores na Escola Pedra da Gávea sobre os benefícios de uma infância ao ar livre e a importância de brincar na natureza.
Ela trouxe questões muito importantes a serem refletidas… falou sobre como a criança precisa de espaço para se expressar, sobre o ímpeto da criança que é de estar na natureza. E também, sobre como ao longo da vida, forças externas vão atrapalhando essa relação com o meio ambiente.
O brincar é a linguagem essencial da criança, é a forma como ela vai se constituindo no mundo, como ela aprende e se desenvolve. Quando a criança está na natureza ela tem o desejo de explorar curiosidades e a vontade de aprender, e esse desejo junto com o ambiente, estimula a criatividade e a alma imaginativa da criança. Ela é levada a participar muito mais do processo do brinquedo do que receber um brinquedo pronto. E devido a infinidade de possibilidades de criar, as crianças brincam entre si de forma mais colaborativa do que competitiva, o que estimula encontros e criação de vínculos.
Pensando nisso, como promover a conexão com a natureza em ambientes urbanos?
Para ter conexão com a natureza e criar um vínculo, precisamos ter um contato diário. Para isso não é preciso ir longe, esse contato pode começar no quintal de casa, na praça do bairro, o importante é a criança ter liberdade para poder interagir com aquele ambiente de acordo com a imaginação dela.
As crianças têm brincado cada vez menos devido ao medo dos responsáveis de expô-las. Nosso medo de risco e do excesso de proteção, atrapalha a relação delas com a natureza e isso não só prejudica a criança, mas a espécie humana. Pois as pessoas precisam ter comprometimento com o meio ambiente para preservá-lo e respeitá-lo, e isso vem muito da infância, da relação afetiva que criamos com a natureza.
Além disso, o risco quando controlado é extremamente importante para o desenvolvimento integral da criança. Se não temos acesso a risco desde pequenos ficamos com menos recursos internos para lidar com os riscos mais complexos da vida. Para todos os movimentos a criança se arrisca, como por exemplo, para aprender a andar de bicicleta. É através dos riscos que elas desenvolvem cautela, resiliência, coragem, consciência sobre as próprias limitações, e autoconfiança para irem além. Entendendo que o risco é importante, devemos proporcionar riscos saudáveis para nossas crianças poderem aprender lições fundamentais sobre si e sobre o mundo, pelas percepções delas.