Falar e escutar: competências linguísticas desenvolvidas desde de cedo
blog Pedra da Gávea
Sintonia pedagógica 25 julho, 2016
“Hora do Conto”, pais vêm à escola participar do momento de contação de história no grupo Turquesa
Por Juliana Avellar, professora regente na Escola Pedra da Gávea
A linguagem oral é o mais importante instrumento de comunicação. Ela se desenvolve desde cedo nas crianças, que a utilizam para expressar seus desejos, desagrados, durantes as brincadeiras e outras situações de interação social.
De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, “a aprendizagem da linguagem oral e escrita é um dos elementos importantes para as crianças ampliarem suas possibilidades de inserção e de participação nas diversas práticas sociais. Essa ampliação está relacionada ao desenvolvimento gradativo das capacidades associadas às quatro competências lingüísticas básicas: falar, escutar, ler e escrever”.
A partir dos quatro anos de idade, essa competência já está bastante desenvolvida, sendo a criança capaz de se comunicar com noções temporais e concordância de gênero e número. Por isso, são sempre estimuladas a contarem fatos ou pequenos relatos de seu cotidiano, assim como fazerem recontos de histórias conhecidas previamente.
Uma vez que realizam essas propostas com menos intervenção e mais elaboradas, nós também as convidamos para criarem suas próprias histórias, com apoio de imagens aleatórias ou objetos.
Acredita-se que quanto mais estimuladas e desenvolvidas no âmbito da linguagem oral, mais tarde, essas mesmas crianças terão mais facilidade, e desenvoltura, para fazerem redações e escreverem com coerência.
Na Escola Pedra da Gávea, o grupo Turquesa, formado por crianças de 4 a 5 anos, tem um projeto especial com esse tema. Cada família é convidada a contar uma história, trazida de casa, para o resto da turma. Para isso, as crianças confeccionam almofadas, que são usadas como vínculo afetivo e dão autonomia para o aluno escolher a maneira como quer ouvir as histórias.
Após a “contação” realizada pelos pais, a turma retorna à sala de aula e faz um reconto da narrativa. Nesse momento, construímos a base da primeira redação, oral, em que a professora fica de escriba e faz intervenções apenas a fim de ajudar as crianças na organização do texto, coerência e coesão, chamando atenção para a repetição de palavras, substituições e concordâncias. Por fim, eles fazem a revisão textual. Esta é um sequência de atividades que tem em média uma semana de duração e acontece a cada história contada pelas famílias.
No final do ano letivo temos como produto final do projeto, chamado de “Hora do Conto”, um livro com todos os recontos feitos pelos alunos. Acreditamos que as vivências proporcionadas por este trabalho são de extrema importância para aguçar a curiosidade sobre a linguagem oral e escrita como forma de comunicação, afeto, registro e memória.
Alunos aproveitam, livremente, o espaço da biblioteca
Professora Juliana no momento do reconto da história pelos alunos
Almofada, importante ferramenta para a autonomia do aluno na hora de ouvir a história