Por Daniela Mello, gestora pedagógica
A importância da primeira infância, diante de descobertas científicas, tem se tornado cada vez mais evidente. Dentro desse contexto, a Educação Infantil cumpre um papel essencial na vida do ser humano cujos reflexos são colhidos também na fase adulta. Não valorizar a fase infantil já se tornou obsoleto. Dentro desse processo, vem a escolha da primeira escola que vai contemplar a idade de 0 a 5 anos. Se o pai, mãe ou responsável já projeta a universidade que o filho ou filha vai estudar, e não valoriza a primeira escola, pode estar cometendo um erro.
Essa afirmativa parte do princípio que os conhecimentos trazidos com o avanço das Neurociências não deixam dúvidas de que o processo de aprendizagem, o comportamento social adequado e o controle das emoções dependem de modo relevante do desenvolvimento adequado das funções executivas (FEs) na primeira infância.
As FEs referem-se a um conjunto de processos mentais necessários, quando necessitamos nos concentrar ou prestar atenção, que incluem controle inibitório, memória de trabalho e flexibilidade cognitiva. Quando essas funções não se desenvolvem adequadamente, ou quando se encontram, por alguma razão, prejudicadas, o indivíduo pode experimentar uma série de dificuldades de ordem cognitiva e/ou comportamental que, por sua vez, podem conduzir a fracasso social, acadêmico e profissional. Esse indivíduo fica demasiadamente suscetível a eventos externos, torna-se inadequado, não consegue fazer planos, dificilmente termina uma tarefa, mostra-se desatento ou impulsivo.
Já foi evidenciado que um maior desenvolvimento dessas habilidades poderia promover melhor adaptação e rendimento escolar, além de prevenir uma série de problemas sociais e de saúde mental, no médio e longo prazo. Por essa razão, promover o desenvolvimento ainda na primeira infância das funções executivas pode minimizar ou prevenir dificuldades preparando esses indivíduos para lidar com as demandas crescentes impostas pela escola e mesmo pela sociedade.
Na Escola Pedra da Gávea, utilizamos um conjunto de atividades que visam estimular o desenvolvimento de habilidades em crianças pré-escolares e no início do Ensino Fundamental, incluindo habilidades como organização, planejamento, inibição de impulsos, atenção, memória de trabalho, metacognição e regulação emocional.
Queremos alunos conectados com o meio em que vivem, por isso, é essencial que as competências socioemocionais estejam presentes no dia a dia deles e tenham sua importância na proposta pedagógica. Aproximar tais competências da prática escolar é buscar um aprendizado mais completo e um bem-estar para a criança, a qual levará para por toda a vida.
Dois exemplos são o Clube da Matemática e a prática do Yoga. No Clube da Matemática, os alunos na faixa etária dos 5 anos intensificam o ato de jogar, levando para casa, semanalmente, um jogo para se divertir junto à família. O objetivo vai além de trabalhar conteúdos matemáticos, mas criar um ambiente familiar; conhecer, aprender e compartilhar competências socioemocionais. Através dos jogos, verificamos as estratégias, a iniciativa e o emocional dos alunos diante do jogo. Indiretamente, começamos a prepará-los para tomar decisões, o que futuramente pode ser usado no mercado de trabalho, bem como em outras situações da vida.
Já a prática do Yoga, presente em todas as idades, está inserida em um dos pilares da escola, a Ecologia. A atividade traz a ecologia no campo pessoal, proporcionando aos alunos a capacidade de atenção consciente, além de reforçar a consciência corporal e promover bem-estar. Segundo Gopala Amir Yaffe, monge, mestre e estudioso da Filosofia do Yoga, “Praticar Yoga com crianças é criar uma atmosfera acolhedora que as encoraje a relaxar e se divertir enquanto desenvolvem não apenas força, coordenação, flexibilidade e equilíbrio, mas também consciência, melhora na capacidade de concentração, foco e autoconfiança.
A Escola Pedra da Gávea reconhece o valor do Yoga para proporcionar um momento de concentração e leveza aos nossos pequenos respiradores. As competências socioemocionais afloram nas crianças ao desenvolverem, por meio dessa prática, o autoconhecimento e o equilíbrio das emoções, permitindo-as sair do automático “estar” para o consciente “ser”. As crianças aprendem a amar e respeitar, a relaxar em momentos de tensão ou estresse, a se concentrar quando uma tarefa requer mais atenção, a se relacionar harmoniosamente com seu semelhante e com o meio ambiente, a cuidar de seu corpo e saúde e, por fim, aprendem a desenvolver seu potencial.